A incrível sensação de contar os segundos. De olhar repetidas e insistentes vezes no visor do celular, na esperança do tempo ter passado só um pouquinho mais rápido. A decepção ao descobrir que não se passaram nem dois minutos retiram nossas esperanças durante o suspiro cansado. Até que uma hora a tela brilha, você escuta o som do seu celular, o ponteiro finalmente resolve trabalhar a seu favor e é chegada a hora.

É chegada a hora de sentir aquela montanha russa, que quebraria facilmente o recorde de mais rápida do mundo, que se instalou e é ligada diversas vezes na sua barriga. É chegada a hora de se olhar no espelho e sentir uma pontada de insegurança, o famoso será-que-prendo-o-cabelo-de-outro-jeito? Deixa isso ai minha filha, a saudade é tamanha que ninguém vai reparar se sua franja cai pra esquerda ou pra direita, o que pesa é o tamanho do seu coração e a intensidade do abraço de vocês. A franja, a barra da saia ou a cor predominante dos teus lábios não muda o fato de alguém estar esperando por você, alguém te esperar pra lembrar do seu cheiro e do quanto foi bom se apaixonar. Tampouco muda a vontade. A vontade descontrolada de ouvir aquele timbre exato de voz, de ver a cabeça pender pra trás e sorrir pelo simples fato de sorrir.

Quando você viver isso, eu digo de verdade, não alguma coisinha barata que encontramos em qualquer esquina, quando você sentir necessidade de escutar, proteger, acalmar e cuidar, vai descobrir como se ganha a verdadeira sensação de paz. Tal coisa que se carrega nos ombros com um riso leve e um caminhar que ilumina o ambiente, paz que permite seu coração bater aliviado outra vez, permite que haja vida. Haja vida no trabalho, nos relatórios, na fila do ônibus, na escolha do tipo de programa pro final de semana. Paz que se dá pelo nervosismo, vontade e saudade quando os ponteiros insistem em trabalhar lenta e dolorosamente contra você. Paz na felicidade de vê-los acertados, onde você sempre desejou. Paz de quando você desce os degraus do ônibus e sente vontade de correr até que os ponteiros resolvam parar de verdade e permitem que você viva aquilo tudo que imaginou enquanto chegava o Natal mas não chegavam as 17 horas. Porque é essa a sensação que eu tenho quando quero muito algo que não chega, vocês também né? Eu sei que sim.

E quando chega? Da vontade de quebrar o relógio com marteladas. Ou talvez pedir devagarinho: Fica paradinho amor, que eu preciso de tempo pra te matar e matar o que há em mim que precisa de alguém. Colabora com os ponteiros e vê se faz um acordo, o tempo passa e são poucas as chances de sorrir. Valorize-as, viva-as.

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