Então chegou dia dos namorados, mais uma vez. E com ele, seus clichês e declarações, quase na mesma intensidade que as lamentações e revoltas. Quem está namorando publica fotos de jantares maravilhosos, passeios especiais, presentes e todas as coisas fofas típicas desta data. Já quem não está, procura o mais rápido possível arrumar programação para o dia (de preferência em algum lugar que não esteja abarrotado de casais), sem falar nos que saem com a certeza de que o companheiro dos sonhos aparecerá naquela noite.

Apesar de todas as queixas, negações e provas de ‘auto suficiência’, duvido que até o solteiro mais convicto do mundo não tenha alguém de quem se lembre no fatídico 12/06. Seja um cheiro, um sorriso, um nome… Aquela lembrança virá. Quanto tempo esteve lá, escondida? Quanto tempo ficará? Difícil dizer, mas no dia dos namorados, por incrível que pareça, seja a ficada da semana passada ou o namoro de anos terminado há pouco tempo, ela que veio a mente. Tudo bem, talvez essa lembrança suma no dia seguinte. Ou talvez não. E no meio dessa história, não é que o dia dos namorados, fugindo do óbvio, acaba sendo muito mais revelador para os solteiros! Esqueça as tentativas de provar o quanto está bem assim, e curta sua lembrança. Não fuja dela pelo menos neste dia. Pode ser melhor do que você imagina. Como dizem por aí, tem muito solteiro apaixonado e muito namorado fingindo que ama. Afinal de contas, seja qual for o dia do ano, namorados ou não, o que importa é o que está no coração.

Love

Sento na mesma cadeira de sempre e, abraçada ao mesmo travesseiro de sempre, eu solto o mesmo suspiro de sempre e finjo me importar com o que está passando na televisão. Mas no fundo eu não me importo. E como sempre, eu apenas assisto. Esse é um daqueles momentos mais para dentro, sabe? É um daqueles momentos egoístas de domingo, de quando os jornais mostram divisas de territórios em crise, parentes esquecendo que são parentes para ganhar alguma vantagem, dinheiro sujo circulando em lavagens que nunca o tornam limpo… esse é um daqueles momentos em que as coisas parecem desmoronar aos poucos, e o comercial da Coca Cola tenta amenizar os impactos dizendo que os bons são maioria. E devem ser. Mas os bons também têm seus momentos mais para dentro e por algumas horas eles também não se importam. Sei disso porque não sou uma pessoa má, entende? Mas lá estou eu assistindo pequenas cenas catastróficas apenas por assistir, porque é domingo e porque eu precisava abraçar alguém e trouxe o travesseiro para suspirar comigo. Eu suspiro um ar dominical egoísta, de quem encararia melhor a frieza que se espalha lá fora, caso estivesse sempre quente por dentro. Mas eu nem sempre estou. A verdade é que eu não sou como o Sol, e estou muito mais para planeta Terra que congelaria se afastando dele apenas alguns centímetros. Mas é tão domingo hoje… e eu sentada na mesma cadeira de sempre aperto o travesseiro e suspiro outra vez. É quando meu pai, sentado do outro lado da sala, diz: você espera demais. E sinto vontade de dizer que ele também espera, que todos também esperam, mas não digo. Porque eu espero demais. Demais no sentido de durante muito tempo, ou demais no sentido de coisas grandes? Eu não sei, pai. Eu não sei, domingo. Eu tão inquieta e ansiosa, de repente estou inerte. Eu suspiro. E espero que a espera passe.

waiting

Por que insistimos em gostar de quem não gosta da gente? Talvez seja pela nossa necessidade de autoafirmação, de ser desafiado como todo ser humano, na eterna busca pelo improvável. Dizem por aí que as mulheres gostam de um desprezo. Discordo. Mulheres gostam de carinho e esse certo masoquismo emocional não é exclusividade das fêmeas. Eles também adoram uma negação. Estimula a sedução.

Todos nós já tivemos um amor bandido, aquela paixão por quem não nos merece. Uma incrédula submissão, de um jeito que nosso próprio espelho desconhece. E por que continuamos tentando, mandando aquelas mensagens na madrugada? Sei lá, maldito coração, ele escolhe errado e o corpo padece.

Aquele carinha bonitinho é tão carinhoso, me elogia no facebook, me dá “bom dia” todas as manhãs. Qual é o meu problema? Fico pensando naquele idiota que ignora meus torpedos, meus olhares. Babaca, estava com aquela barba por fazer, ontem à noite, na aula. Tão irritante aquela camisa xadrez que destaca seus olhos castanho-esverdeados. Que raiva! Um jeito arrogante que me derrete e eu fico aqui, perseguindo seu rastro na internet. Passa das duas da manhã e eu já perdi a conta de quantas vezes olhei essa foto dele sem camisa. Depois acordo com ódio de mim mesma por ter sonhado com ele. Saco!

Certa vez alguém disse: “manda na relação quem se importa menos”. Será verdade? Não falo daquele equilíbrio do amor verdadeiro, em que as ações não são calculadas. Nesse caso, a mulher não contabiliza as flores não dadas, os beijos sonegados, ou as carícias distribuídas. O homem não se preocupa se ela demora pra responder seus telefonemas, ou se chega mais tarde após a happy hour com as amigas. A saudade não significa desespero e o ciúme se torna um objeto estranho ao casal. Falo daquele momento da descoberta do outro, do começo de tudo, onde a conquista domina as horas do nosso dia.

No início da relação a dois, sempre tem um que toma a iniciativa, que aciona o cupido, que busca a sua felicidade e espera que ela combine com a da pessoa desejada. Mesmo quando o amor está surgindo e é correspondido, há uma força maior para que a união aconteça e, nesse caso específico, o perseguido, ou a pessoa conquistada, sempre estará um passo à frente. Ela terá o rumo da história, poderá decidir a frequência dos encontros e o tamanho do compromisso. Tudo isso está em duas mãos, não em quatro. A outra boca aguarda a hora certa para beijar e espera pelas respostas ausentes.

São aquelas leis indestrutíveis da vida amorosa. O rejeitado corre atrás de quem despreza. Depois de um tempo desiste e o outro percebe a falta que lhe faziam aqueles cuidados diários. O jogo vira, a vida dá voltas e, por vezes, o sentimento inexiste, é sucumbido apenas pelo orgulho de não admitir uma rejeição. Pior de tudo é que não existe solução pra isso. A fórmula do amor é complexa, contém ingredientes insanos e nunca sabemos se é a dose certa. O jeito é experimentar, viver, tentar, amar, sofrer e se entregar. No final, sempre terá valido a pena. Ou é amor, ou foi lição.

Por Chico Garcia, conheça o blog dele!

Homem mais velho é sempre mais interessante, porém difícil de entender. Não sei se é porque ainda não tenho a idade dele, mas às vezes me soa tão infantil essa perseguição exagerada. Relaxa, cara, o mundo não acaba amanhã. Existe uma distância de idade inquestionável. Nossa faixa etária está tão longe quanto nossos pensamentos, projetos e filosofia de vida. Jeito de pensar, de agir e até certas preferências. Como ele pode ser tão necessário e ao mesmo tempo tão diferente do que eu quero?

É engraçado, fujo desses garotos contemporâneos impulsivos e inconsequentes, que desdenham da oportunidade de me conhecer melhor por medo deles próprios. São covardes e preferem o subterfúgio da autoafirmação, do que a liberdade dos beijos juvenis, da exposição da alma. Como são tolos. Tolice, aliás, é adjetivo masculino, independente da idade. Experiência é ilusão. Dias no calendário não significam vivência, alguns caras apenas existem. Um macho com rugas acredita ser melhor do que verdadeiramente é, quando o talento está na simplicidade dos gestos, na autonomia dos sentimentos, no descansar dos olhos, na confiança do despertar. Nem sei por que insisto, isso tudo é sinceridade demais para eles.

Eu quero um homem com “H”, com cheiro de perfume forte, com aquele antebraço largo, quente e revestido por pelos de um lobo protetor. Cansei de andar na corda bamba da minha vida circense. Preciso de uma palavrinha-chave, que abre todas as portas do meu conflito pré-adulto: Segurança. Quero caminhar no abismo, sem me preocupar em me esborrachar lá embaixo, simplesmente por estar amarrada em cordas de lealdade. Mas isso não se pede, exige, ou sugere. O contrato de confiança é assinado no olhar, é ele quem sustenta a fidelidade. A explicação para isso está no adultério, que provoca a rescisão do acordo e, a partir dali, os olhos não conseguem jamais se cruzar.

Sim, tô revoltada. É difícil entender como alguém que me faz tão bem pelo que representa, me chateie tanto pelo que realmente significa. Ele é ótimo comigo, conquistou minha mãe e minha irmã e nem falo das minhas amigas. Tem aquele jeito superior que não instiga, enoja. Uma voz baixinha que não seduz, irrita, além da inteligência afrodisíaca, que não me balança nem um pouco. Pelo contrário, me sinto inferior e o que resta é constrangimento. Tento me adaptar ao que não sou, me aproximar de um mundo do qual não pertenço e me afastando de mim, já nem sei mais pra quem eu estou olhando nesse momento, enquanto jantamos. Sim, eu sei, sou complicada também e pode até me chamar de imatura, mas é exatamente por essa minha inconstância de ser, que preciso alguém firme do meu lado. Não te escolhi pela idade, e sim pela tua capacidade de alcançar um lugar onde eu jamais poderia chegar. O problema é que já avisto esse horizonte e sinto que vou cruzá-lo mais rápido do que eu pensava. Mais do que isso, percebo que a viagem até os meus objetivos não será interessante, afinal você não vai suportar isso. Sinto muito, vou ao toalete retocar a maquiagem e a minha vida. Sou inquieta e agoniada. Pra mim, felicidade é movimento. Busque alguém que consiga viver parado.

Chego em casa, entro no chat, à noite, e vem a minha melhor amiga me perguntar o que deu errado e o que eu quero afinal. Se o melhor é um homem mais velho ou mais novo? Mandei a seguinte mensagem: “Maduro ou imaturo, prefiro sempre a sinceridade dos olhos. O resto é entrega e consequência.” Assim, dormi sorrindo com as minhas convicções e ciente de que já sei me equilibrar melhor na corda bamba. Afinal, a queda faz parte do espetáculo da vida. E eu sempre me levanto.

Por Chico Garcia, conheça o blog dele!

Se as mulheres soubessem o poder que tem uma lingerie. Ela é o uniforme da sensualidade, peça íntima que deve ser exposta, capaz de seduzir mais do que a própria nudez feminina. As mulheres deveriam abusar do uso de Lingeries e, com isso, abusar da sensatez masculina. Não importa se ela for de duas peças, ou vir acompanhada de espartilhos destacando as pernas e um corpete valorizando os seios. Uma lingerie adequada é como uma isca para alcançar a presa, um convite à felicidade, um contorno colorido para a beleza da mulher.

Ao contrário do que as mulheres pensam, não há restrições de cores e formatos. O homem está mais preocupado com o conteúdo, do que com a embalagem, mas apesar disso, a forma de uma lingerie interessa e muito. Se for de renda, fio dental e com um bojo interessante no sutiã, o homem permitir-se-á até mesmo fechar os olhos para ser feliz. Uma lingerie branca, independentemente da tonalidade da pele, pressupõe uma inocência desafiadora, um símbolo angelical que contrasta com o calor da pele. O preto realça a tez clara, revela toda a segurança dela. O vermelho combina com os lábios e só é recomendável caso a mulher tenha uma intenção bem definida.

O bege, considerado impensável, é linear, sem vida e não atrai tão somente pela cor, mas é bom que as mulheres saibam que a vontade não diminui. Isso é mito. A paixão supera qualquer ausência de brilho na vestimenta. Uma lingerie lilás, roxa, laranja ou amarela, são sempre bem vindas, especialmente aquelas peças feitas para ficarem à mostra, por baixo de uma camisa, ou de uma blusa transparente. Um adereço sensual, porém permitido não ser tão íntimo dependendo da situação.

Lingeries transformam, encantam e seduzem. No dia-a-dia, ou em momentos especiais, não existe nada mais sexy do que uma lingerie escolhida com carinho por quem a gente gosta. Qual a sua cor de hoje?

Por Chico Garcia, conheça o blog dele!

Click

Refletindo

Click é aquela sensação de que alguma coisa se modificou dentro da gente. É uma interrogação que o corpo se faz, um arrepio sem procedência, um sorriso espontâneo provocado pelo timbre da voz. Click é um sinal interno de que o seu dia mudou de nome a partir de então.

Nunca esperamos o click. Pode ser num olhar, numa conversa ao telefone, ou em um esbarrão no meio da festa. Naqueles segundos em que os corpos se encontram, mas não se enxergam, você já sente algo estranho, familiar. O click é um sentimento confuso, sem identidade, chega quando quer e entra no peito sem avisar.

Certa vez, o click apareceu antes mesmo de conhecê-la pessoalmente. Só de ouvir falar nela, senti uma empatia genuína, um carinho instantâneo e, a partir dali, minhas reações extrapolaram qualquer normalidade aparente. Eu só provocava um assunto com nosso amigo em comum. Sem me dar conta, demonstrava interesse por alguém que meu olfato ainda não reconhecia, que apenas meu sexto sentido identificava. O click invade sem que você perceba e abre as portas para o encantamento. Uma vez encantado, não há espaço para raciocinar.

Eu nunca havia tocado nela, olhado pra ela, mas bastava falarem dela – inclusive com outros caras – e eu sentia ciúmes, vontade de protegê-la. O curioso é que nem assim eu imaginava que algo estava acontecendo, talvez por tudo isso ser uma grande loucura da minha parte. Ingenuidade. O click tem um quê de insanidade.

Não é raro sentir atração por alguém que não conhecemos ou não vimos o rosto. Para haver o click, a pessoa nem precisa ser bonita, engraçada, ou ter um bom papo. O click é irracional e não significa que se transformará em paixão. O click é o embrião do sentimento, pode durar horas, ou alguns dias. É um estalo do coração, brilho efêmero dos olhos. Desperta a vontade de ser feliz.

Texto por Chico Garcia, conheça o blog dele!

Te conheço muito bem, vejo que você tenta, tenta, e tenta mais uma vez. E me diz, pra quê? Pra que continuar insistindo em mais do mesmo? Pra que ficar criando e fantasiando uma realidade não compartilhada, que sempre que pode, dá um jeito de acabar com você? Não tem coisa mais difícil do que esperar sem saber o que te espera, pago pra ver desafio maior. Você quer se sentir forte, gosta disso… Quer mostrar que aguenta e que cada baque é uma espécie de degrau, mas se esquece de que esse degrau está na escada da mágoa, não na escada da força, nem da confiança, e nem perto da felicidade.

Acorda, menina! Olhe pra você, enxergue dentro de você! Perceba que pessoa linda você é, que amigos lindos você tem, e pare de se sentir um mártir, achando que respirar fundo é a solução pra todos os seus problemas e que você é capaz de lidar com todos eles sem se abalar, porque deixa eu te contar, você não é! E, principalmente: você não precisa disso, ninguém precisa! A vida é quase como ir pra balada: pega seu salto, e pisa com ele em tudo que te faz mal. Na bolsa, guarde tudo que te faz feliz! Simples e incrivelmente leve. Se desprenda, se desapegue, descubra coisas novas, tenha experiências novas, é pra isso que a vida está aí. Tenha coragem pra deixar o que te puxa pra baixo fora da sua vida, não há bem maior que você pode fazer para você mesma! Viva o presente, e deixe o passado em seu devido lugar, mas deixe lá mesmo, enterre se necessário! Só assim o futuro terá todo o brilho que você nunca achou que seria possível. Ser feliz é a maior delícia da vida, não perca tempo, por favor. Depois volta aqui pra me contar a sensação maravilhosa de viver apenas para o que te faz bem.

menina livre

Reza a lenda que hoje os homens só querem as magricelas. Reza a lenda, pois homem gosta mesmo é de curvas, de carne. Escrevo esta crônica como um alerta feito em nome da estética, do prazer e da saúde. Sobretudo, em nome dos pecados da gula e da luxúria. Faz algum tempo que uma certa tendência à exultação da magreza como qualidade física e moral surgiu no mundo da moda, por obra de estilistas que, a rigor, não são os melhores apreciadores do gênero feminino em todo o seu potencial.

Essa inclinação localizada (nada a ver com gordura localizada) rapidamente ganhou o espaço da propaganda. Campanhas comerciais magistralmente produzidas passaram a ser estreladas por moças desvalidas. Não demorou muito para que as curvilíneas atrizes de cinema do passado fossem substituídas por mulheres esquálidas, retas, de pernas arqueadas e reféns dos closes de rosto. Por fim, o que era propensão virou, no universo feminino, um propósito, o fim a ser atingido, reinando absoluto também nas redes sociais.

Qualquer amiga sua que tenha emagrecido a ponto de ficar incapaz de ser apresentar como doadora de sangue vira celebridade, com infinitos elogios de outras mulheres, a maioria invejando aqueles ossos proeminentes dos cotovelos ou dos maxilares, exibidos com orgulho triunfante pelas escassas de volume. Atônitos, os homens reprovam esse comportamento estranho, mas em silêncio, com receio de serem confundidos com sujeitos refratários à beleza feminina. Nada dizem contra, e passam, evidentemente, a procurar consolo visual em outras paragens, nos perfis das mulheres normais e até mesmo – pasmem, senhoras! – de algumas gordinhas.

Sim, no universo social masculino, a gordinha, desde que haja proporção em sua corpulência, são mulheres muito atraentes, tem curvas sinuosas e substância erótica em forma de carne. Se a distribuição de volume favorecer o que Vinícius de Morais chamou de “latifúndio dorsal” no famoso poema Receita de Mulher, (“As muito feias que me perdoem / Mas beleza é fundamental), melhor ainda. Para o olhar masculino, sem volume não há o impulso do toque, ou mais popularmente falando, a fartura é o sex appeal que determina a “pegada”. Ou seja, não seja magra, mas também não exagere na gordura, movimento equilíbrio são fundamentais.

Mulheres, não se levem tão a sério e prestem atenção no que eu digo: não emagreçam! Não estou me referindo, claro, aos casos de obesidade, que é o avesso do magérrimo. Em ambos falta a harmonia das proporções das partes com o todo. A beleza necessita de volume. Não é por acaso que os pecados do corpo se chamam pecados da carne, e não pecados do osso.

E vocês, cheinhas, não se torturem. Aproveitem um bom pudim de leite como quem se delicia em um beijo. Essa volúpia, aliás, é mais um ponto a favor de vocês. Deixem as magras absortas em suas próprias fotos sem graça, enfeitiçadas pelos elogios despropositados de outras mulheres. Os homens, especialmente os de natureza alfa, estão de olho mesmo é em vocês.

Texto de Wanderley Filho, no Reza a Lenda. E ai meninas? Concordam? Eu acho que devemos ser saudáveis mas não nos privarmos de todos os prazeres em busca de um corpo perfeito. Acredito que a saúde tem sempre que vir na frente da beleza. Exageros nunca são bem vindos – nem de magreza nem de gordura. Entretanto, devemos olhar no espelho e nos sentirmos confiantes, independente do peso. Se você se ama, ninguém tem nada a ver com o número da sua calça jeans.

A briga é o grito do relacionamento, explosão do desconforto, suspiro da raiva. Há quem goste de brigas, apenas para movimentar a união. Pessoas que precisam do caos para organizar a rotina, necessitam da dúvida para encontrar as respostas. Quem pensa assim, entende que a briga reinventa a relação. Na briga, dizemos o que o orgulho manda. Ao esbravejar, somos cúmplices da crueldade e nosso principal objetivo é ferir o outro. Duelo entre teimosia e ódio, numa disputa em que ambos saem derrotados. A cabeça ferve, a língua age e o coração sai machucado. A briga está intrínseca ao lar, faz parte da mobília do casal e, dependendo da intensidade, desarruma a casa de vez.

Brigas fazem parte, ensinam e transformam o namoro ou casamento. O problema é o excesso. Reclamação em ousadia pressupõe insatisfação constante, quase infelicidade. Nessa hora é preciso discutir consigo mesmo a razão de insistir nessa situação. Brigar demais pode ser um vício, necessidade de descarregar no outro a própria inconformidade com a vida. Briga é autoafirmação, autoconhecimento e desconhecimento dos defeitos do parceiro.Provocar a briga é uma revolta em causa própria, egoísmo emocional, vontade ditatorial de dominar a relação. Pode ser o ciúme, o pó de café na toalha da cozinha, a porta da geladeira aberta, a coberta roubada de madrugada, ou o esquecimento de algo combinado previamente. Nada irrita mais do que a negligência num relacionamento. Somos carentes por natureza e precisamos da atenção alheia, pois não há felicidade maior do que ser cuidado por alguém.

Depois da briga, vem o choro de arrependimento. Desculpas desamarram o abraço e o toque mata a saudade da pele, expulsando o orgulho do peito. É triste quando percebemos que as palavras podem ferir quem amamos. O beijo não conserta tudo, mas é o começo do acerto – e o carinho – a porta de entrada para o perdão.

Brigas revelam o pior da gente. Os erros mostram a verdade da alma, a sinceridade do ódio, o desespero da carência. Na briga, mostramos quem não queremos ser, mas quem podemos nos tornar quando somos contrariados. Brigar nunca é bom, mas é um rito de passagem que amadurece a relação. Gostar de brigas é patologia. Evitar brigas pode provocar uma discussão maior e definitiva. A receita está na confiança do desabafo, na veracidade dos olhos, no sincericídeo da entrega. Um casal sabe que existe amor, quando a briga nunca enxerga a luz do amanhecer.

Texto por Chico Garcia, conheça o blog dele!

Alguns conhecidos me disseram que nós dois somos contagiosos. Nós dois e esse nosso sentimento absurdo de tão terno. Nós dois e essa ternura absurda de tão grande, de tão quente, de tão espontânea, de tão ingênua. Me disseram que somos contagiosos porque levamos os outros a quererem uma ternura semelhante à nossa. E quem não quer?, eu me pergunto. Quem não quer ser um de nós, e deitar a cabeça sobre o peito do outro para dormir em paz? Quem não quer os nossos abraços de reencontro – que são os mesmos depois de poucas horas ou de uma semana inteira sem nos encontrarmos – sempre entusiasmados e apertados como um nó? Afinal, é isso que somos, um nó. Somos um só.

E quem não quer ser um só, feito de dois?, pensei com meus botões. Se há alguém nesse mundo que prefira ser sozinho – e deve haver – então esta pessoa está salva de nós, imune ao nosso contágio. De resto, todos os outros trilhões de criaturas se sentiriam um pouco contaminadas por nós dois, caso nos encontrassem. Todos se sentiriam comovidos, tenho certeza. Mais que isso: todos se sentiriam motivados a serem um pouco parecidos conosco. E não por que sejamos perfeitos – afinal, não somos. Mas porque, como disseram os conhecidos, somos contagiosos. Somos como aquele casal que se beija na pista de dança e cujo simples beijo motiva os outros casais a dançarem mais próximos e a se beijarem também. Somos tão comuns, tão banais, que foram necessários litros de amor para nos tornar pessoas especiais. Foram necessários litros, para escorrer e contagiar os outros à nossa volta. Por fim, nos tornamos uma fonte para quem tem sede de sentimento. Nos tornamos nós, e não mais eu e você.

Separados, somos exemplos previsíveis e triviais de seres humanos. Somos carne, sangue e instintos. Somos entediantemente normais. Eu sou tão clichê quanto você. Mas juntos, somos incríveis. Juntos somos um borrão colorido que vibra em ondas, espalhando nuances variadas de cores em um mundo acinzentado. Somos contagiosos porque nosso amor é de vanguarda, é revolucionário, é diferente de tudo aquilo que já existe e que foi catalogado. Juntos, somos dotados de uma força poderosa à qual ainda não atribuíram um nome, mas que pode ser sentida de longe. E por isso mesmo, é difícil não reagir quando se está perto de nós. É difícil não erguer os lábios em um sorriso, mesmo modesto, diante de tanto afeto. E cada simples sorriso, já é um sintoma de nosso contágio, do nosso romance. Afinal, o dever dos românticos é exatamente o de contagiar o restante do mundo, a fim de torná-lo um pouquinho mais justo, um pouquinho mais nobre, um pouquinho mais bonito. Acometidos de amor, nós estamos apenas cumprindo o nosso dever: disseminando essa espécie de vírus que, no fundo, significa nossa cura.

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