Minha dúvida neste momento era saber se ligava ou não para marcar nosso último encontro. Você sabe, sempre levo tempo demais para decidir sobre qualquer coisa em minha vida. Mas aqui estou, numa espécie de súplica para que você não deixe de ir. Não se abstenha da obrigação de me dizer adeus dignamente. Talvez eu demore, mas cumprirei meu papel com força e a sanidade que ainda me resta. Ou não. E se você perceber que meu carro não vem pela avenida, retome seu caminho que só vai adiante e não olhe para trás. Me espere uma hora, mas não mais que duas. Você não tem mais a amarga obrigação de esperar qualquer coisa de mim.

A verdade é que eu me cansei. Estou cheia, farta e saciada dessa nossa relação sem nexo algum. Não dá para viver em um relacionamento que só leva a gente para baixo, sabe? Não dá para aceitar uma relação que ao invés de acrescentar, aprisiona. Não dá para aceitar – não mais – esses silêncios intermináveis e a falta de um “eu te amo” verdadeiro. Você nem precisaria dizer, apenas mostrar, demonstrar e viver essas três palavrinhas. Mas ambos sabemos que eu ando fazendo isso tudo por nós e você assistindo a tudo de camarote.

A gente sabe que acabou quando percebe que ficar de joelhos não muda o estado da porta, que continua aberta anunciando uma partida. Dizer que vai ser diferente não altera sentimento algum. Lágrimas não libertam comoção. E o amor é mais que isso, entende? É bem mais que qualquer busca pelo inevitável. É bem mais que conversas e discussões que não chegam a lugar nenhum.
Eu estou farta. E eu vejo que portas batidas, gritos e climas fúnebres pelo o que está prestes a morrer de vez não recuperam sentimentos antigos. A gente precisa aprender a deixar as coisas irem. E mais que isso, eu precisava aprender a hora certa de abrir mão da gente, antes que nos destruíssemos de vez. A nossa hora de partir chegou.

Estou levando nossas boas lembranças na mala e deixando as minhas com você neste momento. Estou deixando você ir adiante. Talvez você sinta tristeza, agonia e pense que não sabe viver sem mim, mas acredite, você sabe. A gente acredita que ama muito mais uma pessoa depois que ela vai embora. E isso não é amor, querido. Entende onde quero chegar? Chegamos ao nosso limite. É uma pena que ainda não tenham inventado remédio para exaustão de amores.

Texto por Raiane Ribeiro, conheça o blog dela!

Post Anterior

Vestido cinza: Grey is the new black

Próximo post

Donna Fashion Iguatemi 2014