Reza a lenda que hoje os homens só querem as magricelas. Reza a lenda, pois homem gosta mesmo é de curvas, de carne. Escrevo esta crônica como um alerta feito em nome da estética, do prazer e da saúde. Sobretudo, em nome dos pecados da gula e da luxúria. Faz algum tempo que uma certa tendência à exultação da magreza como qualidade física e moral surgiu no mundo da moda, por obra de estilistas que, a rigor, não são os melhores apreciadores do gênero feminino em todo o seu potencial.

Essa inclinação localizada (nada a ver com gordura localizada) rapidamente ganhou o espaço da propaganda. Campanhas comerciais magistralmente produzidas passaram a ser estreladas por moças desvalidas. Não demorou muito para que as curvilíneas atrizes de cinema do passado fossem substituídas por mulheres esquálidas, retas, de pernas arqueadas e reféns dos closes de rosto. Por fim, o que era propensão virou, no universo feminino, um propósito, o fim a ser atingido, reinando absoluto também nas redes sociais.

Qualquer amiga sua que tenha emagrecido a ponto de ficar incapaz de ser apresentar como doadora de sangue vira celebridade, com infinitos elogios de outras mulheres, a maioria invejando aqueles ossos proeminentes dos cotovelos ou dos maxilares, exibidos com orgulho triunfante pelas escassas de volume. Atônitos, os homens reprovam esse comportamento estranho, mas em silêncio, com receio de serem confundidos com sujeitos refratários à beleza feminina. Nada dizem contra, e passam, evidentemente, a procurar consolo visual em outras paragens, nos perfis das mulheres normais e até mesmo – pasmem, senhoras! – de algumas gordinhas.

Sim, no universo social masculino, a gordinha, desde que haja proporção em sua corpulência, são mulheres muito atraentes, tem curvas sinuosas e substância erótica em forma de carne. Se a distribuição de volume favorecer o que Vinícius de Morais chamou de “latifúndio dorsal” no famoso poema Receita de Mulher, (“As muito feias que me perdoem / Mas beleza é fundamental), melhor ainda. Para o olhar masculino, sem volume não há o impulso do toque, ou mais popularmente falando, a fartura é o sex appeal que determina a “pegada”. Ou seja, não seja magra, mas também não exagere na gordura, movimento equilíbrio são fundamentais.

Mulheres, não se levem tão a sério e prestem atenção no que eu digo: não emagreçam! Não estou me referindo, claro, aos casos de obesidade, que é o avesso do magérrimo. Em ambos falta a harmonia das proporções das partes com o todo. A beleza necessita de volume. Não é por acaso que os pecados do corpo se chamam pecados da carne, e não pecados do osso.

E vocês, cheinhas, não se torturem. Aproveitem um bom pudim de leite como quem se delicia em um beijo. Essa volúpia, aliás, é mais um ponto a favor de vocês. Deixem as magras absortas em suas próprias fotos sem graça, enfeitiçadas pelos elogios despropositados de outras mulheres. Os homens, especialmente os de natureza alfa, estão de olho mesmo é em vocês.

Texto de Wanderley Filho, no Reza a Lenda. E ai meninas? Concordam? Eu acho que devemos ser saudáveis mas não nos privarmos de todos os prazeres em busca de um corpo perfeito. Acredito que a saúde tem sempre que vir na frente da beleza. Exageros nunca são bem vindos – nem de magreza nem de gordura. Entretanto, devemos olhar no espelho e nos sentirmos confiantes, independente do peso. Se você se ama, ninguém tem nada a ver com o número da sua calça jeans.

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