Eu sou o tipo de pessoa que quando ama, ama muito. Ama demais, pra sempre, até o fim da vida, até que, de repente, acabe. Em qualquer relacionamento amoroso que me desperte um sentimento profundo, me entrego de corpo e alma e cabeça e espírito e coração. Assim mesmo, sem vírgulas ou pontos, porque muitas das vezes falta-me o ar. A verdade é que amar superficialmente não tem graça. Bom mesmo é ir até onde der e quando não der mais, amar mais um pouquinho. É rasgar o verbo e logo após remendar as palavras ditas sem pensar, com colas de perdão. É chorar muito, até desidratar e logo após redesenhar o contorno da boca para que o riso seja maior e mais largo e mais intenso.

Quando eu paro para pensar nas coisas que já fiz quando amei alguém – ou vivi algo com aqueles que despertaram em mim uma paixão fulminante – dou risada. A gente liga no meio da noite pra dizer que ama e passa o resto da madrugada se sentindo idiota por ter ligado. A gente grita, chama pra conversar na balada, chora e diz que tudo vai melhorar. Inventamos um orgulho que não existe só para não dar o braço a torcer. Vivemos a mil por hora porque a realidade inventada é tão mais linda e divertida e quando o amanhã chega, acordamos para a vida real. E quando nos tocamos do fim (e mais que isso, quando aceitamos o fim) damos risada sem pesar algum. Porque depois que tudo acaba, todo drama vira comédia e todo mal de amor, vira piada em roda de amigos. 

O amor não nos cansa porque é difícil aceitar um fim precoce, e então lutamos. Ele não nos deixa exaustos porque nada paga uma companhia agradável e amada, então convivemos. E quando acaba, a gente esgota as possibilidades para ver se no final de tudo algo renasce. Algumas vezes saímos ilesos, outras machucados demais para recomeçar. E num belo dia, acordamos e seguimos em frente. Algumas vezes a passos largos, em outras com uma dificuldade absurda de caminhar, mas seguimos. Acontece que sempre haverá um amanhã, um outro drink e uma outra pessoa. O amor é aquilo que te faz sofrer, mas não te deixa desistir de tentar de novo. Te faz olhar para trás e pensar: cara, eu amava muito aquele babaca. Como eu pude fazer aquilo por ele? Tanta coisa dita e tantas outras feitas. Não medimos as consequências. Não nos importamos se os outros estão olhando ou o que vão pensar. O amor é o ridículo da vida. E não importa quantas vezes eu caia e me machuque: sempre estarei disposta a me vestir de palhaça e encarar esse picadeiro tão intenso e lindo mais uma vez.

Texto por Raiane Ribeiro, conheça o blog dela!

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