Sábado à noite e eu em casa, tentando assimilar as porradas que levei da vida nos últimos dias. Não bastasse eu questionar minha profissão e todas as minhas atitudes nessa existência, meu relacionamento acabou da forma mais surpreendente possível. Como assim, não dá mais? Naquela hora senti o chão abrindo um buraco e enquanto eu caía, uma faca atravessava a minha garganta, vinda do estômago e passando pelo peito. O pior de tudo é que ainda me sinto em queda.

Preparo um drink para me fazer companhia, enquanto assisto a um reality show de gordinhos tentando emagrecer que passa na TV à cabo. De repente o telefone toca. Deve ser a minha mãe perguntando se eu jantei, ou querendo saber onde vou almoçar amanhã. Não era. Aquele nome bem conhecido piscando no visor do celular foi como se eu tivesse engolido um tijolo. Pensei em não atender. Pensei em atender imediatamente. Imaginei até que estava arremessando o aparelho pela janela. Atendi.

A pior coisa do término é desfazer os laços. É mais dolorido dizer Adeus à convivência do que ao corpo. A presença física se dribla, mas e a companhia? Essa ausência é como se tirassem a sua cama e você não tem mais onde dormir. É um desatino real. Ela me ligou porque está com saudades, quer conversar. Natural já que nos últimos 4 anos eu fui a sua principal conselheira, confidente e grande incentivadora. Queria me contar coisas novas do trabalho, pessoas em comum entre a gente que encontrou, falar coisas que ele geralmente não fala a ninguém. E eu? Quem me ouve? Não posso confessar a ele o que penso, simplesmente porque não sei o que sinto.

Angústia, dúvida, receio, insegurança ou cautela. Sei lá, talvez alguma dessa palavras me defina. Talvez nenhuma. São 3 semanas desde o “fim” e eu ainda estou no processo de “recomeço”. Tenho medo de ter clicado no “reset” após essa ligação e desperdiçar todas as minhas sessões de terapia, arquivos de músicas de fossa, programas de TV para solitários e todas as bebidas da minha dispensa. Fiquei tentando decifrar a intenção dele no tom de voz, nos suspiros, em cada palavra. Eu o conheço como poucos, mas também jamais esperava que ele me desapontasse. É como se eu tivesse acabado de sofrer um acidente e fosse dirigir na mesma rua. A gente passa bem devagar, tentando se precaver com medo de se machucar de novo.

Desliguei com a sensação de que vai acontecer novamente. Talvez eu perca o medo agora e também ligue. Pode ser que nunca mais a gente se fale. O certo é que uma história nunca tem fim. Não há como destruir as lembranças de tudo que vivemos. É uma voz que o ouvido sempre vai reconhecer, uma risada gostosa de fazer o coração sorrir. Um jeito de ser que a gente se acostuma a admirar, mesmo que não goste ou não se identifique. Está ali, torna-se uma mobília do lar da sua vida. E a mudança é sempre muito complicada, mesmo que seja para melhor. Desde aquele dia, criei um novo hábito, além de pensar em você. Não paro de olhar para o visor do meu telefone.

Texto por Chico Garcia, conheça o blog dele!

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