Que quando conseguimos desenvolver o pensamento e ação de perdão todos somos mais leves, felizes e tranquilos, isso nós sabemos. Sabemos que quem perdoa isenta um peso desnecessário das costas, a caminhada se torna mais leve. Talvez o brilho nos olhos demore um pouco mais a chegar, talvez as cicatrizes façam com que o medo tome um pouquinho de espaço, mas isso não é culpa do perdão. As cicatrizes, a ausência de brilho e de confiança é fruto de outra coisa, o perdão só traz leveza. Essa decisão que realmente muda a sua vida. Quando você resolve relevar, esquecer, poupar seu cérebro de criar situações para vingança ou parar de alimentar as minhocas que sua cabeça insiste em criar, você decide se libertar.

Traíram você? Mentiram diversas vezes? Viraram-lhe as costas, você se decepcionou? Sinto lhe informar que isso não é o fim do mundo. Sinto mais ainda em lhe dizer que você não é o primeiro, não será o ultimo e muitíssimo menos o único a passar por coisas nesta categoria de dores que a vida e as pessoas nos causam ao decorrer dos anos. Situações assim lhe causam cicatrizes e sabe porque elas fecham deixando só a marca a pele? Pra você olhar e lembrar de tudo o que houve, sabendo o quanto doeu e melhor: a sua incrível capacidade de se regenerar. Doeu? Claro, nenhum ser humano gosta de ser enganado ou ferido. Precisa doer pra sempre? Isso é você que escolhe. Hoje, além de perdoar as cicatrizes que me causaram, eu escolho me perdoar.

Nós somos capazes de perdoar traições quando existe um pingo de esperança. Somos capazes de ignorar mentiras e tentar entender contextos quando sentirmos a necessidade de estar ao lado de alguém. Somos capazes de não olhar para trás quando precisamos de alguém, perdoar por amor. Eu resolvo me perdoar porque preciso ser leve.

Vou me perdoar pelas noites em que não quis me arrumar e sair para ver o mundo ao redor da minha cidade, esqueço os dias em que jurei amor eterno a algo que não merecia nem um lanche depois de uma balada, ignoro fielmente o fato de ter acreditado tanto em pessoas que não mereciam meu tempo e nenhum dos meus sentimentos mais puros. Eu irei me perdoar por não conseguir perdoar certas coisas instantaneamente. Eu escolho esquecer dos gritos, das dores, das lágrimas que eu derramei e só meu travesseiro sabe. Ele sim amorteceu minhas quedas, meus berros e a água que transbordava de mim e ia de encontro a fronha branca de algodão, pedindo socorro.

Eu também vou ignorar o fato de ter dado exclusividade a alguém que nunca deu um pingo de atenção especial a mim e todas as outras escolhas que eu fiz e que me afastaram das pessoas, lugares e momentos certos para que algo conspirasse ao meu favor. Eu vou sim me perdoar por ter tentado segurar o peso do mundo nas minhas costas, por ter enviado aquela mensagem quando estava bêbada e precisava de atenção e por não estar disponível 24 horas. Não estou disponível para ninguém por 24 horas, nem para a melhor amiga do mundo ou para o carinha mais legal que eu encontrei naquela noite, talvez até naquele mês. Eu sou disponível a mim mesma por 24 horas e ultimamente nada tem sido mais valioso que isso. Então, por todas as vezes que eu não atendi, não forcei a barra só porque a situação pedia isso e por todas as visualizadas-e-não-respondida. Eu vou me perdoar, ponto final.

Todas as situações que pedem perdão merecem meu perdão porque elas envolveram boas intenções. Se eu sou capaz de perdoar más intenções eu sou capaz de ser a rainha do perdão próprio. Eu preciso me perdoar principalmente pelas atitudes tomadas por impulso, pela força da vontade de fazer algo finalmente funcionar durante as horas disponíveis nos dias, dias disponíveis no mês e toda essa ordem cronológica que as vezes pira a cabeça da gente enquanto martela repetidas vezes o quanto precisamos de tantas coisas que talvez nem precisemos de verdade. Viu? Preciso me perdoar por me confundir e confundir vocês no fim das contas. Acompanhem meu raciocínio, a vida precisa ser leve e o perdão dá a leveza absoluta. Decida ir, decida perdoar, decida ter perdão próprio.

Casa, carro, empresa, tudo que é próprio é melhor. Amor e perdão não fogem a regra. E qual é o problema de me perdoar também? Eu quero ser o mais leve que puder e nesta dieta, graças a Deus, eu não preciso ficar sem brigadeiro – aliás, também vou me perdoar pelo brigadeiro.

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