Ah, esse Vinicius de Moraes! Comecei a noite ouvindo um sambinha bom, desses que nos faz refletir demais. E em uma das letras, eis que ele me diz “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. E como, meu Deus! Eu pego esses trechos e voo para um passado onde tudo deixou de ser felicidade para virar memória. E de repente o sambinha pula de bom para melancólico. E minha vida de perfeita, para um amontoado de despedidas.

Já deixei tanta gente passar batido. Já me deixaram passar tantas vezes também. Já segui em frente deixando lágrimas em rodoviárias, aeroportos e países diferentes. Segui por estradas desconhecidas para encontrar meu próprio caminho e me perdi inúmeras vezes. Nunca me importei em cair. Nunca desisti de me encontrar, nem de encontrar a pessoa que fizesse meu coração bater mais forte em plena calmaria. Na verdade, eu nunca soube muito bem pelo o quê procurar, mas sabia que o encontro valeria a pena se a busca fosse de corpo e alma. E foi. E é. E sempre será.

As despedidas acontecem para que o novo possa chegar. Aquilo que não se encaixa em nosso modo de viver, dá espaço para que outro feito perfeitamente para nosso molde tome seu espaço. E eu vejo que a magia que envolve o encontro de duas almas marcado há milhares de anos é simples e clara. Porque você percebe porque não deu certo com os outros que passaram antes. E entende porque superou tão rápido e sem melodrama. O que tem de ser, será. Embora tantas idas se façam necessárias neste percurso.

E de repente, ele chega. Sem eu procurar, chega sem avisar e toma tudo o que é dele – e sempre foi – por direito. Não marcamos um horário, nem premeditamos a data e o lugar. No meio dessas tantas impossibilidades e frustrantes probabilidades aconteceu nosso encontro. Houve aquele relapso que nos diz quem é o amor da nossa vida, sabe? No meio de tudo e ao mesmo tempo de tanto vazio, achamos um lar para chamar de nosso e um coração para chamar de lar. E eu descobri que quando é para ser, você pode tentar fugir, mas até as pedras no caminho se transformam em trilhas só para nos jogar nos braços do nosso destino.

Texto por Raiane Ribeiro, conheça o blog dela!

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