Minha irmã mais nova (detesto essa expressão, pois me lembra o fato de que sou a irmã mais velha. Argh!) estava há dias me incomodando com um vestido que ela queria emprestado para um casamento. Tipo, há muitos dias mesmo. Saco. Mas como sou uma boa pessoa em constante busca pela minha evolução enquanto ser humano, ok, vambora, vou te emprestar um vestido.

Só que eu sou uma traumatizada: Convivi, sob o mesmo teto, por muitos e muitos anos, com duas pequenas maníacas que me achavam o máximo (é o bônus de ser a mais velha…) e só queriam usar as minhas roupas. Mas elas gostavam tanto, mas tanto das peças do meu vestiário, que criavam técnicas de “saque” do guarda-roupa, desenvolveram a habilidade de caminhar com passos inaudíveis, aprenderam a restituir o vestido/calça/blusa ao mesmo local, praticamente como se sempre tivesse estado ali e nunca tivesse “passeado” com elas pelas festinhas. Mas eu, com meus olhos de virginiana perfeccionista (palavra bonita para dizer “chata”), sempre via o cabide posto do lado errado, ou a manchinha quase imperceptível na manga do casaco. E ia fingindo que não via, eu queria ser uma pessoa legal e desapegada de bens materiais e blá-blá-blá-separa-meu-lugar-no-céu, mas meu coração apertaaaaaava só de pensar naquelas pirralhas que usavam as roupas que eu comprava com o suor do meu trabalho (ai, quer coisa melhor do que trabalhar para comprar só roupas? Bons tempos!). Elas simplesmente não me respeitavam, porque o armário estava sempre lá, como que se de braços abertos para o mundo.

Até que chegou um dia que não deu mais: Depois de várias manhãs em que eu, atrasada, buscava peças “perdidas” pela casa (que “miraculosamente” apareciam no armário alheio), peguei no flagra uma amiga da irmã usando um vestido meu. Coitada, ela não tinha culpa. Mas não é uma barbaridade? Foi aí que, depois de quase enfartar, tomei uma decisão drástica: Tranquei meu closet. Sim, fui má, egoísta e ranzinza, mas resolvi meu problema e fui feliz por longos anos de armário trancado (e chaves duplicadas, o que vim a descobrir somente mais tarde – mas tudo bem, o controle se tornou tão intenso que os “saques” foram substancialmente reduzidos, e taí uma boa experiência para dividir e usarem na área da (in)segurança pública do nosso estado).

Pois bem. Só que agora sou uma mulher casada, mãe de família, balzaca bem resolvida e tudo mais, então, volta e meia, num gesto de imensa generosidade, eu concedo a graça para uma das minhas irmãs adentrarem no meu closet. Advinha? Elas piram! Não pense você que eu tenho as melhores grifes e os últimos lançamentos da Maison Dior. Nem mesmo Osklen eu tenho por aqui. As pirralhas, aliás, se tornara mulheres estilosas e têm roupas incríveis, muitas muito mais legais que as minhas (mas não contem isso para elas). Na verdade, meu armário só tem uma coisa de especial: Ele é quase, quase inalcançável. Só se chega aqui com autorização expressa (e depois de muito mimimimi no meu ouvido). Sobre ele repousa uma aura de glamour e de restrição de acesso que o torna desejável. Ou seja, há que se conquistar o posto.

E nós, mulheres, não temos que ser assim? O closet me fez pensar nos homens. Porque, com os homens, é bem assim: Você pode ser o artigo mais bonito ou luxuoso, mas se for “facinho”, eles vão provar, usar, e… Bem, qual era a graça mesmo? Já era. Há que se valorizar o passe, instigar o imaginário, criar a ilusão de que o que você não tem à mão é bem, beeeeem mais legal. É a velha Teoria da Grama do Vizinho. Aí você olha pro seu armário e pensa: “Bah, é mesmo”. A gente sempre prefere a roupa nova. Ou a emprestada da amiga. Ou o cara que você acha o máximo, mas só gosta mesmo é de se olhar no espelho.

Então não se perca nesses devaneios, filha: Sempre, SEMPRE tem aquela calça jeans incrível que nos veste como uma luva, empina a bunda, afina as coxas, alonga o corpo e, ainda por cima, é confortável. Confortável para o dia, estilosa para a noite, é companheira de todas as horas e te faz se sentir mais segura. Se encontrares um cara tipo assim, querida, fica aqui um conselho: Casa, casa logo. Porque a grama (ou o closet ou o corpitcho mesmo) do vizinho pode até parecer ser melhor. Mas o que vale mesmo é termos à mão, todos os dias e em todos os momentos, o parceiro que nos faz feliz. O amor tem que nos fazer uma pessoa melhor. Como a calça jeans que deixa a sua bunda mais bonita, mesmo nos dias mais inglórios.

closet ali

Texto por Ali Fontanella, nova colaboradora querida do blog! Conheça a página incrível dela no facebook. Espere por novidades e textinhos (daqueles que vocês amam) por aqui.

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