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chico garcia

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Existe uma regra estúpida nos relacionamentos: um dos dois sairá por cima depois do fim. Não há como definir um vencedor, pois sequer estamos falando de uma disputa. Mas muita gente encara uma relação a dois como tal. E para mim, quem age desta forma, já saiu derrotado. Geralmente quem decide pôr fim a uma relação tem motivos de sobra para sair numa boa. Ou não estava feliz com aquela pessoa, ou encontrou outro alguém. Certamente alguma razão lhe fez partir para outra, ou para outro. Mas há exceções. Por vezes a distância impede uma relação saudável e sempre há um que resiste melhor. Quem sucumbe à dor dos corpos separados pode querer terminar, mesmo no auge do sentimento. É preciso muita força para acabar um namoro, ou compromisso, gostando de alguém. Provavelmente exista algo muito maior para que a decisão seja tomada, seja a distância, um amor proibido, ou

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Não adianta insistir, algumas coisas possuem um prazo de validade na nossa vida. Pessoas também. Não raro, ignoramos certos sinais, claros e evidentes, que tentam nos mostrar o encerramento de um ciclo. Não enxergamos porque o coração não deixa. Ou não quer. Não nos ensinaram como dizer Adeus, ainda mais no pleno do sentimento. Um dia a gente descobre que amar não é o suficiente. Não existe felicidade diária, ou um relacionamento sem divergências. Uma relação pode, inclusive, terminar sem brigas. O que indica o fim é exatamente uma ausência de reação que o outro possa lhe causar. Pro bem e pro mal. Se o abraço dele não lhe provoca mais aquela sensação de conforto, é hora de repensar a paixão. A harmonia até existe, um entra pela casa e já vai lavando a louça, enquanto o outro deixa o lixo ao sair pela porta. Ao deitar, o casal promove

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Amor platônico é juvenil, não importa a idade. É uma vulnerabilidade constante, insegurança para qualquer passo em direção à pessoa desejada. É uma certeza de que tudo pode e vai dar errado no momento em que tentarmos quebrar essa fria distância entre os corpos. Amor platônico é amor só no nome. Sentimento indecifrável, mais parecido com encantamento e ilusão. Ocorre pela vontade de se apaixonar. É a idealização da paixão num biotipo específico, a necessidade de projetar em alguém o desejo por ser feliz. Amor platônico sonha ser correspondido e então desperta para uma realidade distante. Ele não me olha. Ela nem sabe meu nome. Sofremos com isso na escola, na adolescência, com o vizinho gato e o primo impossível. Mal conhecemos e já amamos. Amor na forma de falar, um amor totalmente condicional, que sobrevive apenas na fantasia da realidade. Platônico de Platão, que idealizava um amor sem cunho

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Nunca é fácil terminar um relacionamento. Ainda mais quando a mudança não parte da gente. Parte a gente. Falo daquele pé na bunda indesejado, inesperado, de um ciclo encerrado abruptamente e de forma unilateral. Situação terrível, choque de fantasia, distorção da realidade. Vontade de não mais existir. Mas existem flores brotando no deserto sentimental que vivemos no momento da fossa. Basta querer enxergar. É difícil ter consciência quando o chão se abre sob nossos pés, quando a dor no peito desatina e a razão não faz mais sentido. Complicado ter que buscar uma força que desaparece, lidar com a sequência daqueles minutos de angústia. Mesmo assim, é preciso um último suspiro, um fôlego de sobrevida, um apoio fraterno dos amigos pra tirar a gente de casa, daquele estado moribundo. Temos que nos abraçar em algo ou alguém, nem que seja no travesseiro como hospedeiro das lágrimas, ou nas canções que

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Tá difícil seguir sem você. Parece algo intrínseco ao meu ser, entranhado na pele. Você marcou de uma forma que meu coração jamais vai esquecer, por mais que a cabeça se esforce. É uma falta que assombra o peito, questiona a vida. Me faz perguntar ao espelho se um dia eu vou sorrir novamente. Eu sei que vou. Pelo menos espero que sim, mas a sensação é de que o mundo será cinza para sempre. A parte mais difícil está entre o despertar e o adormecer. No restante, até que lido bem, isso quando não lembro dos sonhos. Quando acordo, lembro de você antes mesmo de abrir os olhos. É como se eu sentisse teu cheiro. Na verdade eu sinto, relembro, revivo, recordo, renasço para falecer novamente. Durante aqueles segundos na cama, com a consciência turva, procuro teu corpo entre os lençóis. O vazio da cama rima com aquela angústia

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Dar um tempo é perder tempo. Covardia da boca, frase do medo. Decisão indecisa, contradição da vontade. Tentativa de conformar sem confortar. Dar um tempo é sentir pena de machucar quem deixamos de amar. É o fim abreviado. Injeção letal com anestesia. Dar um tempo é a vergonha do brio, escudo transparente do verdadeiro desejo. Quem pede um tempo, não quer admitir que o ciclo encerrou, pelo menos de forma unilateral. E aí, não há o que fazer. Não se ama por dois. Ao pedir um tempo, a necessidade é de se afastar. Ledo engano. A proximidade é que poderá consertar o que se quebrou. Dar um tempo é abrir espaço para o conveniente, para dormir em outras camas, para pensar na vida. Se você precisa pensar longe da pessoa com quem você está, sinto em dizer que não há mais o que pensar. Quem ouve “Precisamos de um tempo”,

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A vida é feita de escolhas. O amor também. Podemos escolher entre a felicidade plena e linear, ou a vulnerabilidade da paixão. Mesmo quando temos a chance de optar pela serenidade de um sentimento maduro, concreto e estável, há quem prefira aquela dúvida de um olhar correspondido. Não tem jeito, algumas pessoas não se adaptam ao outono de uma relação duradoura. Preferem o fogo no vão da incerteza, o desafio constante da autoestima. Não é fácil escolher entre o calor que incendeia e o morno que aquece. É uma armadilha do destino, que instiga as nossas vontades urgentes. Uma paixão que desatina nos faz refletir sobre tudo que nos envolve. Somos tomados por um desejo de eternidade daquela sensação flutuante de êxtase. O problema é que a paixão nunca será eterna. O fogo que queima a pele é inebriante, porém efêmero, como todo ápice da vida. Nem sempre temos a

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A mentira é o vírus de uma relação. Invisível, ela chega silenciosa, sorrateira, se aloja na convivência e, quando percebemos, estamos infectados. Não há mais cura. Se a sinceridade é o alicerce para o amor, a mentira, é o veneno da rotina. Mentir é fácil. Difícil é suportar as consequências do gesto. Enganar o outro é trair a si mesmo. Mentira é fuga, delírio do óbvio, um lapso de ilusão. Devaneio da realidade, incerteza do passo. A mentira é a contramão da tranquilidade. Mentir não protege, afasta; não ajuda, confunde; não esconde, machuca. A mentira é a sombra do dia, a tentação da noite. Mentir revela mais do que gostaríamos. Uma mentira inocente pode abrigar, mas a sinceridade vai aquecer. Mentimos todos os dias. Dizemos que o cabelo dela está ótimo, que a sua comida está uma delícia, que o perfume dela nos faz cantar. Mentimos por um sorriso e

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O respeito é o pilar da relação. Quando existe o respeito, ninguém dá um passo à frente, sem levar o outro consigo. Não há maiores decepções e os dois caminham lado a lado. O Respeito é a base de tudo. Ter respeito é sentir orgulho, é admirar o parceiro. Mostrar ao mundo sua felicidade de estar ao lado dele. Respeitar é valorizar a mulher que ama, mesmo quando ela não está presente. É pensar em dobro, não abandonar jamais. Respeito é entrega, atitude e proteção. O respeito é ingrediente fundamental na fórmula do amor. Sem respeito, esqueça. O amor tem diversos pilares que, uma vez derrubados, destróem gradativamente o sentimento. A confiança – mesmo quebrada – tem conserto, mas depende da tolerância. O tesão, pode ser recuperado facilmente. O respeito, se perdido, jamais será retomado. E ele leva consigo a capacidade de continuar uma história. Ao perder o Respeito, quebra-se

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Difícil entender como uma pessoa pode fazer isso com alguém que lhe deu tanto. Eu fui tudo pra esse cara. Um moleque, na verdade. Se transformou num homem, graças a mim. Eu o fiz acordar pra vida, mostrei que aquele emprego não lhe acrescentava nada e que ele deveria ter saído da casa da mãe. Sim, até lavei roupas dele, mas na cozinha ele se virava. De vez em quando eu até chegava em casa e o via passando a roupa, com a cama arrumada. Ele aprendeu que viver é muito mais do que um jogo de futebol. Virou responsável e cuidadoso, porém, infiel. Juro que tento, me esforço, mas é quase impossível conceber porque ele fez isso comigo. Estou aqui sentada na janela dessa sala vazia, olhando pra rua. Vejo os carros passando, a cidade pulsando e o meu coração em pedaços. O vidro serve como um espelho obscuro.

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