Minha boca estúpida revelou, mais uma vez, pensamentos sombrios. Não, devaneios. Só disse demais e estragou o que a gente tinha de melhor. O que eu tinha de melhor, que era você. Tudo o que eu sei é que o que você sentia por mim mudou completamente. E você pode dizer que me ama, que está tudo bem e que vamos superar todos os empecilhos juntos, mas quando pego esse seu olhar vago enquanto converso sobre sentimentos, me desespero. Cresci sabendo que temos que pensar antes de falar, que precisamos filtrar nossos sentimentos e emoções pra não machucar quem está ao nosso redor, mas minha boca estúpida com a mesma mania de intensidade de sempre disse tudo o que veio à mente, desse jeitinho mesmo, na lata.

Sei que no meio de tantos gritos, verdades e desabafos deveria conter coisas que eu penso quando te olho. Acho que nunca te contei que tentei te esquecer várias vezes. Inúmeras. Sempre fui tão boa nisso. Simplesmente me cansava, virava as costas e partia. Mas com você não dá. Talvez seja a sua leveza enquanto coloca o cabelo atrás da orelha e dá um sorriso tímido. Ou quando briga comigo e me diz que tenho que ser mais maduro e ter mais responsabilidade. Acho que é a forma como você se mexe e o modo como mexe comigo. E em minha busca louca por finais, te disse aquelas coisas todas. Mas aqui estou de volta pra você, como sempre acontece. Não dá pra esquecer e engolir em seco o seu “acabou.” porque todos os nossos finais são recomeços antes mesmo que terminem.

Você segue minha sombra e some no escuro do meu quarto pra deitar em minha cama. E me olha rindo quando penso na possibilidade de tentar algo novo, sabendo desde o início que nunca funcionaria. Porque nunca encontrarei outro você. Então esqueça as bobagens daquela noite. E lembre-se que todas as vezes em que você tentar me tirar da sua mente, eu vou me jogar no seu coração e na sua alma e no seu destino. Porque estou tão fixado nele quanto você no meu. Então não perca tempo, nem nossas segundas chances. Prometo nunca mais falar nada que te magoe e te tire o chão de novo, amor. Não vá embora, prometo voltar a ser um mistério. Uma incógnita. E calar a minha boca estúpida pela milésima vez.

Texto por Raiane Ribeiro, conheça o blog dela!

Surto

Vai embora daqui, da minha vida. Não suporto mais essa tua mania de não querer me querer. Me larga, me solta, não toca em mim. Não finja que se preocupa. Você não se importa com meu choro. Está com a consciência pesada e quer tornar tudo isso o menos dolorido possível para que você possa dormir direito, acompanhado de uma missão cumprida.

Vai embora, vai. Estou abrindo a porta da sala e fechando a do meu coração. Vai doer, eu sei, mas não sou mulher pra receber consolação como prêmio pelo que eu nunca conquistei. Não me alimento com sobras e você me tirou o prato principal faz tempo. Não faz essa cara de quem se arrepende de ter me enganado, essa cara de quem não consegue mentir nem pra si mesmo.

Posso estar aqui dilacerada, em busca do meu próprio amor – porque o amor próprio já se foi pra algum lugar que eu desconheço – mas eu jamais vou conseguir ter a falsidade de inventar uma paixão. Você é patético. Sai, não me abraça, não pense que vai me convencer com tudo aquilo que me cativou. Pelo contrário, você conseguiu me mostrar o que eu mais detesto em um homem: mentiras e covardia. Você é um fraco e sem a nobreza da fraqueza. Um homem fraco é aquele que não enfrenta seus medos por medo de arriscar, que tem medo de si próprio, medo dos outros, medo do mundo. Medo de ser fraco.

Para, para, não vou escutar esse papo de que vai ser diferente. No fundo você está tentando tornar as coisas mais difíceis para depois me jogar na cara que tentou. Nem você acredita nesse discurso de ladrão de galinhas. Vai me dizer que não vai voltar pra ela de novo. Aquela mesma mulher que já te deixou quando você mais precisou e eu, burra, estava lá, segurando as pontas e o teu corpo para não cair. Mas agora entendi, certamente vocês combinam. As caras lavadas são as mesmas e feitas de pau.

Vai embora daqui, nada que você me diga fará eu mudar de ideia, eu preciso muito te odiar nesse momento, para me amar um pouco mais. Sai e leva os Cds contigo, teu moletom que uso como pijama, a caneca, teu desodorante, tua vida, minha alma. Leva tudo embora, você estragou tudo. Eu achei que ia dar certo, mas você parece ter o dom de me magoar. Vai embora, vá pra longe, carrega tua máscara pra bem distante do meu salão de festas. Vai embora.

Texto por Chico Garcia, conheça o blog dele!